sábado, 3 de julho de 2010

Do Oriente

Satisfazendo algumas curiosidades, aqui ficam umas pinceladas largas sobre a China.
Cheguei a Hong Kong e visitei a cidade. Ruas de trânsito intenso, muita gente, muito ruído, muita luz, muita vida, muito de tudo. Hong Kong é o fascínio do consumismo, mas não se esgota aí. Tem árvores, tem jardins, tem uma floresta inteira a engolir a cidade. Tem muito verde! Do alto duma colina, a que se sobe a pique num funicular muito interessante (quase, quase, igual ao de Bergen, na Noruega), vê-se toda a cidade. Impressionam os arranha-céus amontoados, cada um mais espectacular do que o outro. Impressiona a densidade urbana. E depois temos as ruas, o comércio, a electrónica a preços escandalosamente baixos. Adorei Hong Kong!

De Hong Kong passei de barco para Macau. São cerca de 80km numa hora de navegação.
Macau.
Macau é a cidade mais estranha que já vi. Não vou dizer que é a mais feia, mais desorganizada e desinteressante, isso feriria algumas susceptibilidades. Mas é um choque! Comparar Macau com Hong Kong, é ir directamente ao cerne de todas as questões organizativas da sociedade portuguesa, desde que nos conhecemos como povo. Hong Kong é produto britânico; Macau é o espelho do regabofe português. Está tudo dito.
Em Macau visitei os locais habituais, como a ruína da igreja de São Paulo, a fortaleza que é hoje o museu, o jardim onde supostamente Camões teve morada numa gruta, o Largo do Senado... Vagueei pelas ruas, ruelas estreitas cheias de gente a fazer comida a toda a hora. Cheiros estranhos, sensação de sujidade e balbúrdia a montes. E o céu sempre baço! Pois é, nas cidades que visitei nunca vi o azul do céu. A poluição é tanta, que está tudo envolto numa neblina amarelada opaca. Juntando a isso o calor e a humidade excessivos, temos dias abafados ao jeito duma sauna.
E claro, temos o barulho das luzes! Os casinos de Macau são um must. É já a cidade com mais dinheiro de jogo no mundo inteiro (esqueçam Las Vegas) e tem também o maior casino do Mundo. Visitei esse (The Venetian) e o velhinho Casino Lisboa. É engraçado ver a evolução entre um e outro.

E fui a Pequim.
Pequim é avassaladoramente descomunal! Nada na Europa se assemelha a Pequim, tal é a dimensão da cidade. Tudo é longe, tudo é enorme, tudo é megalómano. Qualquer avenida tem cinco faixas de rodagem em cada sentido e as distâncias entre pontos de interesse medem-se banalmente em quilómetros.
Os engarrafamentos de automóveis, vieram substituír o trânsito de milhões de bicicletas que abandonaram a cidade, que era imagem de marca. Tudo é diferente daquilo que se idealiza antes de lá ir.
Em Pequim comi o pato, andei de riquexó, caminhei sobre a muralha da China, comprei um monte de tralha ao desbarato, visitei a Cidade Proibida, o túmulo dum imperador Ming, o Palácio de Verão e o Templo do Céu, e constatei que existe censura na China. E em todas as alturas, lá está o retrato de Mao para nos lembrar quem manda...
Também vi toda a espécie de bicharada pronta a comer, mas é coisa mais para turista ver. Não é mentira que os chineses comem baratas, larvas, cobras e escorpiões, isso tudo está exposto nas barraquinhas nomeio da rua, para quem quiser provar. Mas não é habitual. Habitual, é um Kentucky Fried Chicken em todas as esquinas. Os chineses abraçaram, e de que maneira, o fast food americano.
A cidade é moderna e muito acessível a qualquer turista, que não terá dificuldade em deslocar-se para qualquer lado. E o comércio é uma loucura! Todas as melhores marcas (e nem precisam de ser falsas) a preços ridículos. É impossível competir com isso, por a mão de obra ser tão barata.

Foi um passeio engraçado e revelador. O Oriente é um mundo muito diferente do europeu. Mais viagens se seguirão para aquelas bandas. Aguardem novidades.

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