domingo, 28 de fevereiro de 2010

Diário dum fim-de-semana

Ainda não são 10h da manhã e já tenho uma sopa ao lume. Há-de ser o meu jantar ao longo da semana que aí vem.
Acordei antes das 8h, tomei o pequeno-almoço (uns ovos mexidos com compota de alperce), li as notícias de todos os jornais na internet, destaque para o GLORIOSO BENFICA, tratei da roupa lavada e deitei mãos à cozinha. Hoje vem cá almoçar um colega de trabalho. Mais um norueguês que se lambuza com a comida portuguesa, como seria de esperar. Estes nórdicos não sabem cozinhar nem têm o palato apurado, de modos que tudo o que faço, por mais simples que seja, é um manjar dos deuses para estes vikings habituados a hamburgueres e pizzas.
Tenho tido uns fins-de-semana hiper-activos. Esse velho dito da mens sana in corpore sano é uma verdade confirmada. Desde que combino o ski com o squash e algumas horas de ginásio (com sauna, claro), tudo funciona melhor.
6ª feira à noite fui ao cinema ver o Shutter Island. Todas as semanas vou ver um filme (às vezes dois). O cinema está-me no sangue!
Ontem (Sábado) passei o dia na pista de Eikerapen, a uma hora daqui. É lá que me tenho dedicado ao ski. E que vício! Agora percebo a febre deste povo pelos desportos de Inverno, aquilo é mesmo espectacular. Montanha acima, montanha abaixo, é subir nos elevadores para depois vir por ali abaixo em curvas e contra-curvas com saltinhos pelo meio, tentando não atropelar as criancinhas a cavalo nos seus minúsculos skis (vi um miúdo ainda de chucha na boca, já montado nuns skis, pela mão do pai).
No fim do dia estava morto. Completamente estoirado das pernas. Ainda fui jantar fora com um colega, mas já não houve saída. Mesmo com pena de não ir ter com amigos ao meu bar preferido, o corpo pedia cama. Vim para casa e já nem vi o fim do jogo do Benfica. Também já calculava que ía ser a goleada do costume...
E assim, hoje saltei da cama mais fresco do que uma alface e comecei logo a fazer um monte de coisas ao mesmo tempo.
A sopa está quase pronta, daqui a pouco meto o peixe no forno para o almoço e entretanto fiz um chá gelado para ir bebendo. Sou o duende do lar.
Depois do almoço é o café com os amigos aqui da rua e ao fim do dia, a esperança que o Sporting ganhe ao fcp (fê-quê-pê). E está o fim-de-semana feito e amanhã é uma nova semana de trabalho, que há-de passar bem, a caminho de mais dois dias de ski e cinema e jantaradas com amigos.
Esta vida na Noruega, não é má de todo.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

A minha varanda


Palavras para quê?







quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Aniversário


E para comemorar um ano nesta obra, bolo e champanhe.















terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Sou quase norueguês nos hábitos.
Sou um nórdico-lusitano, ou um português arraçado de nórdico. Ou algo assim como um bacalhau da Noruega acompanhado com paio de Barrancos.
Tenho andado a almoçar às 11h da manhã, como qualquer norueguês que se preze. Mas como qualquer bom português, os meus almoços são de faca e garfo, e não uma fatia de pão com algo por cima.
E janto cada vez mais cedo. Ainda não estou a jantar às cinco da tarde (que aqui é noite), mas para lá caminho. E deito-me cedo, para me levantar mal o relógio bate as 6h. É certinho, até parece que já estou acordado e em pulgas para saír da cama, à espera que o despertador dê o sinal.
No Sábado fiz um típico almoço português, com o encarregado e os arvorados (Sr. Magalhães, Sr. Bruno e Sr. Sousa). Umas postas de bacalhau no forno e uns tintos valentes. A coisa durou até às seis da tarde, como se fosse na nossa terra. Quando saímos de casa para beber café depois do almoço, estavam os noruegueses a terminar de jantar.
E no Domingo fui para uma pista de ski, como todas as famílias norueguesas. Cada vez gosto mais do ski e já estou a planear a próxima ida no Domingo que vem.
Como digo, estou a ganhar alguns hábitos nórdicos. Mas o pepino em tudo o que é comida, ainda não vai. Tal como não vai os litros e litros de cerveja, sem comida a acompanhar. Ou conduzir a 70 km/h. Ou um monte de coisas que estes nórdicos fazem, mas que ainda não são para um português.
Isto dos genes é muito forte!
16 de Fevereiro de 2010
Cai neve e está uma temperatura amena: -1ºC.
Faz hoje precisamente um ano, que iniciámos a obra em Kilden.
Um ano.
O que começou por ser um buraco a céu aberto, cheio de neve misturada com lama, é agora um enorme edifício de paredes de betão, cheio de complexidades e particularidades construtivas, muito pouco usuais em obras vulgares (mas esta obra, de vulgar não tem nada).
Hoje temos bolo e champanhe para 30 pessoas, a recordar a primeira equipa que começou isto tudo:
Joaquim Magalhães e José Magalhães, José Sousa, Bruno Moreira, Manuel Gameiro, José Freitas, António Marques e Mário Cordeiro.





sábado, 6 de fevereiro de 2010

Sirdal Ski Trip

E porque a vida não é só trabalho, juntámos um grupo de amigos e fomos passar um fim-de-semana numa das muitas estâncias de desportos de Inverno da Noruega - Sirdal.
Um espanhol, um salvadorenho, quatro portugueses e duas alemãs.
Uma cabana muito acolhedora com acesso a piscina e sauna, e as pistas a 10 minutos dali.
Houve quem fizesse snowboard, eu experimentei o ski. Na Noruega, o ski é o desporto-rei, a actividade mais praticada por toda a gente. Este pessoal passa o Verão a sonhar com a queda de neve, para poderem montar os skis e deslizar por essas florestas fora. São doentinhos por isto, e já começo a perceber porquê. Foi a minha primeira vez, e fiquei fascinado (mesmo não percebendo nada do assunto).
No nosso grupo, as duas raparigas já dominam a arte há muitos anos, enquanto os rapazes começaram agora a dar os primeiros passos. Mas foi muito giro, uns a ensinarem aos outros os truques que sabiam. Eu aprendi a travar e senti uma felicidade imensa! (parece coisa simplória, mas acreditem que TRAVAR é a palavra-chave quando se desliza na neve). E não fiz muito mais do que isso na pista das crianças, onde já me sinto confortável (sim, pista das crianças).
É impressionante ver os putos pequeninos a dominar o ski na perfeição. Fazem aquilo com uma facilidade! Bem dizem eles que já nascem com skis nos pés...
Temos de repetir, aquilo é mesmo viciante (mesmo com quedas aparatosas e botas duras a apertar os joanetes).
Pelo caminho ficam as memórias do convívio, a minha ida patusca a uma sauna que não sabia ser mista (antes de entrarem nus numa sauna, espreitem primeiro para ver quem lá está dentro), a tarefa de desenterrar os carros da neve pela manhã e as aventuras de condução na neve, com reboques à mistura. Houve de tudo.
E agora, as fotografias.





































terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Dizem os trabalhadores: "As nossas mulheres pensam que andamos aqui no Baile-das-Velhas? Ó engenheiro, ponha lá estas fotos na net, para verem o que a gente sofre!"

E assim, aqui estão as fotos do pessoal a trabalhar no meio duma tempestade de neve.
Desde que cá estamos (já vai para um ano), hoje foi o dia com piores condições para se trabalhar.
Neve a caír o dia todo, vento forte e temperatura nunca acima dos - 10ºC. Horrível.
E no entanto, a obra avança adiantada em relação ao programa.
Os portugueses são máquinas!