sábado, 19 de dezembro de 2009

Os dias passam a correr - e isto literalmente, porque o sol nasce quase às 9h da manhã e põe-se pouco depois do almoço.
A obra de Kilden é uma louca cavalgada todos os dias, a do hotel em Fevik está mais calma. Duas obras completamente diferentes, distanciadas 50 km uma da outra, que me ocupam a totalidade dos dias.
É Sábado, são 10h da manhã e vou finalmente poder organizar toda a papelada que tenho de enviar ao chefe. Relatórios e mais relatórios. A parte menos emocionante desta actividade - eu gosto mesmo é de andar na obra!
Lá fora estão oito graus negativos ( -8º C ). Com o vento gelado a soprar, tarefas tão básicas como atender o telefone são fatais! No final duma chamada de poucos minutos, tive dores nos dedos como nunca antes senti. Parecia que me tinham martelado os dedos e espetado pregos neles em seguida. E a orelha fica completamente anestesiada, nem se sabe se ainda está no sítio.
É horrível, é o que tenho para dizer. A conjugação de temperaturas negativas com este vento que vem do Ártico, é um cenário simplesmente horrível. E os meus homens trabalham assim, como quer que esteja o tempo, sempre sem parar. Nunca paramos, nunca atrasamos. Esta raça portuguesa está a deixar os nórdicos perplexos com tamanha capacidade de produção. Há atrasos na obra, mas nunca por nossa culpa. Pode ser a bomba do betão que está congelada, ou entregas de materiais que não chegam a tempo, ou avarias nas máquinas, ou o vento que não deixa operar as gruas... há uma série de factores que influenciam o andamento da obra. Mas o emigrante português da construção civil, esse bicho irrequieto, prático e inventivo, nunca pára. Nem mesmo quando não existem as condições necessárias para efectuar as tarefas com a segurança exigida. E isso é bom e é mau. É bom porque coloca a produção sempre em primeiro lugar; é preciso fazer uma coisa, faz-se! Mas é mau porque estamos constantemente a ser chamados à atenção por causa da segurança. Um trabalhador a passar duma plataforma para outra, sobre duas tábuas que fazem de ponte, a 20 metros de altura, é daquelas coisas que deixa os nervos em franja aos responsáveis pela segurança (em que eu estou automaticamente incluído). Mas apesar de tudo (e isto é um problema de fundo, cultural, de práticas e hábitos menos "correctos" enraizados na nossa maneira de ser), a obra tem decorrido sem acidentes graves. Já aconteceu um dedo partido, uma lesão num joelho, limalhas na vista, cortes superficiais, entorces várias, mas nunca nada de grave e assim tenciono que se mantenha até final.
Todo o pessoal está já a caminho de Portugal para as férias do Natal. Na obra estou apenas eu e o director de projecto, o norueguês Hans Olav. Tudo calmo, tudo silencioso, tudo muito estranho sem o ruído e a azáfama típicas do dia-a-dia da construção.
As merecidas férias.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Natal em Kristiansand




sábado, 5 de dezembro de 2009


Chegou a neve!
As fotos mostram a primeira camada(que se vai aguentar por poucos dias antes de derreter).
Em Oslo e mais a Norte (e principalmente para o interior e a maior altitude), já neva desde há algumas semanas. Mas aqui em baixo tivemos esta semana o primeiro nevão. Duas noites geladas que cobriram tudo de branco.
Agora vem a chuva e limpa tudo, mas não tarda muito para ter de andar a desenterrar o carro todas as manhãs!
A neve é bonita, mas é uma chatice.






sábado, 28 de novembro de 2009

Singularidades do viver norueguês

A Noruega é sem dúvida alguma, um dos melhores países para se viver. Segundo a OCDE, ocupa o 1º lugar no ranking dos países com melhor qualidade de vida. Não conheço os outros países, mas asseguro que a vida aqui, tem muuuita qualidade!
Não deixa de ser, no entanto, um país com um estilo de vida estranho para quem vem do Sul da Europa.
O dia-a-dia cá começa muito cedo. Por volta das 5h da manhã, já anda meio mundo na rua a caminho do trabalho. O horário laboral tenta aproveitar o melhor possível as horas de sol, que no Inverno se põe por volta das 16h (aqui no Sul, porque mais para Norte, nem se chega a ver o sol!). Assim, a maior hora de ponta ocorre por volta das 15h, quando toda a gente vai para casa. Sem stress, que esta gente não tem pressas.
O povo cá da terra almoça às 11h. Comem uma fatia de pão integral com algo por cima (pode ser queijo e fiambre, alface e atum, etc etc, mas SEMPRE com rodelas de pepino) e está feito. Hábito estranho, para quem como nós está habituado ao bife com batata frita, massa com frango ou uma bela feijoada; E jantam por volta das 17h, mas desta vez já uma refeição quente de faca e garfo. Vão para a cama cedinho, à hora a que eu normalmente como o meu jantar, e tudo recomeça no dia seguinte antes das 6h.
Sobre a vida propriamente dita, é boa.
O sistema de saúde é um mimo, sendo a nossa equipa de trabalho, clientela assídua do hospital de Kristiansand (entorses, cortes, gripes, dedos partidos, ...). Desde a senhora da recepção até ao último especialista que nos atende, o tratamento que é dado às pessoas é o exemplo a seguir. Aqui somos tratados como humanos, pessoas de carne e osso como qualquer médico, que não anda cá com as peneiras e tiques dos senhores doutores de Portugal. O mesmo se aplica a engenheiros, advogados, políticos e até mesmo aos membros da Família Real. A sociedade norueguesa assenta no pressuposto de que todas as pessoas merecem o mesmo respeito e a mesma consideração, e isso vê-se e sente-se.
A Noruega, que era um dos países mais pobres da Europa até à década de 60, é hoje o país com a maior reserva de dinheiro do mundo. O petróleo é a grande fonte de riqueza do Estado, que obriga as empresas petrolíferas a ceder parte dos lucros para o Tesouro Público. E é esse dinheiro que tem sido utilizado para desenvolver o país. Cá não falta dinheiro para as reformas das próximas cinco gerações. Tal como não falta dinheiro para hospitais, escolas, pontes, e todas as infraestruturas que fazem falta. Quando há eleições, o grande debate entre partidos é sobre a melhor forma de gastar o dinheiro. Aqui não se discutem casos de corrupção, de crimes de colarinho branco ou de esbanjamento criminoso de dinheiro. Aqui discutem calorosamente se determinado fundo é melhor empregue num hospital novo, ou num troço de auto-estrada; discute-se se determinada pessoa é competente ou não para determinado cargo, discute-se se a política de ajuda ao exterior é a mais indicada. São estes os pontos de desacordo entre os diferentes partidos. Não há "tacho", não há compadrio. E não é por estarem a nadar em dinheiro, é porque são donos duma mentalidade que preza valores diferentes dos nossos. É claro que há criminosos e cadeias, como em qualquer parte do mundo. Mas esses são o desvio, a minoria. Na generalidade, as pessoas são honestas e correctas, metidas na sua vida e desinteressadas do que não é seu. Os miúdos deixam os brinquedos na rua. Ninguém lhes leva as bolas ou as bicicletas. Vamos aos bares e podemos deixar malas e casacos em qualquer parte, que ninguém mexe. O "amigo do alheio" não abunda por cá. Vive-se em segurança e com confiança.
Outra coisa muito diferente da nossa realidade, é a vida nas estradas.
As estradas norueguesas são más. Contra-senso, para um país tão rico! Mas a explicação é simples: quando a Noruega descobriu que tinha petróleo, o dinheiro foi primeiro utilizado para dar melhor qualidade de vida às pessoas. Investiu-se na saúde, nas redes de apoio social, na educação, no sistema de pensões e reformas. Investiu-se numa rede de transportes públicos eficaz, com destaque para os vôos internos (que vão para qualquer ponto do país, a preços bastante acessíveis). E as estradas foram ficando para trás. Agora que tudo funciona bem, o país virou-se finalmente para a rede viária. Que não sai barata, porque qualquer pequeno troço de auto-estrada, tem que furar imensas montanhas e atravessar uma quantidade incrível de rios e fiordes. O custo de qualquer estrada, é obscenamente elevado! Por isso ficaram para o fim.
Outra grande diferença, é o cumprimento das regras de circulação. Os limites de velocidade são baixíssimos (muitas vezes, 80 km/h nas melhores estradas) e o alcoól é de todo proíbido quando se conduz. Desta forma, a sinistralidade na estrada é praticamente nula. É mais provável alguém ter um acidente por levar de repente com um alce que salta para a estrada, do que por embater em outro veículo.
Quanto ao estacionamento, esqueçam isso de pôr o carro em cima do passeio ou de o deixar estacionado de borla. Todos os lugares de estacionamento são pagos, e as multas são pesadas para quem prevarica (a falta de pagamento dá direito a uma multa de 700,00 Coroas - cerca de 80,00 Euros). Mas se quiserem arriscar, é conduzir depois de beberem uma cerveja. Fica-se sem carta, vai-se passar a noite na prisão e a multa é uma percentagem do ordenado.
Outra coisa gritante são os preços. Um café custa 21,00 Coroas (2,50 Euros). Um litro de leite são 3,00 Euros, o mesmo preço dum pão. O pão, por mais variedades que haja, é sempre sem graça e desenxavido. Qualquer português sente falta do nosso pãozinho ao fim dumas semanas.
Coisa para esquecer cá, é a qualidade do serviço na restauração. Simplesmente, não há qualidade. Por muitos sorrisos que nos ofereçam, é impossível não desesperar quando temos de esperar 10 minutos ou mais para nos servirem um café. Bares e restaurantes são um suplício para quem espera pelo serviço. Mas não para os noruegueses, que nunca stressam. Para eles, está tudo bem, é tudo nas calmas.
E que saudades dum talho!... Na Noruega não há talhos (salvo raras excepções). A carne é toda embalada e vendida nos super-mercados. Também não há os mega-centros comerciais como nós temos, o comércio encerra às 17h, as lojas não abrem aos Domingos, e as bebidas alcoólicas são vendidas em lojas especiais, do Estado, chamadas Vinmonopolet (literalmente, "monopólio do vinho").
À noite, o pessoal sai e embebeda-se como se não houvesse amanhã! E é um corropio de táxis e autocarros a levar toda a gente para casa. Ninguém conduz, claro. E ninguém arma desacatos. Estes nórdicos são uns bêbados pacíficos e amistosos. Querem é festa e folia (muito diferentes do ingleses, que só armam confusão).
Podia escrever dois volumes de 600 páginas sobre as diferenças entre portugueses e noruegueses, mas fico por aqui. Mais tarde hei-de voltar ao assunto.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Mais fotos de Stavanger




















sábado, 14 de novembro de 2009

Paisagens Outonais


Ao vivo, é muito mais bonito. Mas as fotos dão para ter uma ideia do que são as cores outonais, na paisagem norueguesa.
As várias tonalidades que vestem as árvores, são um deslumbre visual. Imensos tons de castanho, vermelho, amarelo, verde... E sempre a água, muita água.
O Outono aqui é um espectáculo interessante.





domingo, 8 de novembro de 2009


Os dias estão cada vez mais curtos.
O sol nasce por volta das 8h e anoitece antes das 17h. E está frio, muito frio...
Durante a semana caíu a primeira saraivada de neve aqui na cidade. Coisa passageira, fruto duma tempestade do Ártico, mas já uma amostra do que se segue. Confesso que não tenho saudades nenhumas do Inverno aqui.
Entretanto, estamos a começar uma obra nova.
Desde o dia 02 de Novembro que sou também "Site Manager" da ampliação do hotel Strand em Fevik. Fica a 50 km de Kristiansand, em direcção a Oslo.
E aqui em Kilden, a obra avança a bom ritmo, como se pode ver nas fotos.








segunda-feira, 26 de outubro de 2009



Sempre que posso, meto-me a caminho lá para os lados de Mandal.
Desta vez, as fotos são da festa de aniversário do meu amigo dos tempos da faculdade - o Cristovão - que vive numas águas furtadas muito catitas naquela pitoresca cidade.
Muita comida, muita bebida, muita diversão, muita música, e muita gente de todo o mundo para fazer o ambiente ideal.
É giro isto de mesclar pessoas da Argentina, Noruega, República Dominicana, Guatemala, Espanha, México, Portugal e mais uns quantos países.
Veldig bra!







domingo, 25 de outubro de 2009

Torneio de futebol - Zucotec


No dia 10 de Outubro, fez-se o 1º Torneio de futebol Zucotec na Noruega.
Veio uma equipa de Oslo e fizeram-se duas em Kristiansand, onde decorreu o torneio.
No fim ganhou a equipa com os seguintes jogadores:

Bruno Moreira; António Barros; Carlos Silva; Paulo Mendes; Paulo Alves; António Marques; Luís Teixeira e Amaro Correia.

Os jogos foram disputados a ritmo intenso e sempre debaixo de chuva, sem lesões e com muitos golos (marcados quase todos pela equipa vencedora, que as outras duas eram coxos do mesmo nível, a quem a bola só atrapalha).
No final houve churrasco e entrega do troféu, que ficou em Kristiansand.
Aqui ficam algumas fotos.













sexta-feira, 9 de outubro de 2009

A equipa ZUCOTEC en Kilden


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