sábado, 19 de setembro de 2009

Após duas semanas de férias em Portugal, estou de regresso a Kristiansand.
Antes de ir, porém, tive a agradável presença de alguns amigos que me vieram visitar na Noruega (Pedro, Susanas e Cláudia). Foram dias muito bem passados, com passeios de barco, caminhadas verdadeiramente épicas pelas montanhas (quase 10 km de sobe-e-desce por montes e vales, debaixo duma chuva intensa e quase a fazer-se de noite no meio do nada. Tudo para ver uma pedra entalada entre duas ravinas - o famoso Kjerag - que alguém comentou com um "É só isto?"), dormida em Stavanger (a cidade tem mesmo muito estilo), e outras peripécias que envolveram um périplo nocturno pelas ruas de Oslo, à procura duma pessoa de bar em bar, uma evacuação de emergência do apartamento, uma expulsão dum bar, um incidente com garrafas partidas num aeroporto (e a máfia russa à perna), uma ida a uma discoteca surreal, e muitas outras aventuras que só interessam a quem as protagonizou. Verdadeiros fenómenos do Entroncamento em terras de vikings!
Foram dez dias muito giros e espero que mais gente me venha visitar.
Em relação à estada em Portugal, foi bom para matar saudades da família e dos amigos, da boa comida caseira e da minha Lisboa. Confesso que já sentia falta das caipirinhas na praia, das imperiais a 1 Euro, do café a 50 cêntimos e de um monte de coisas do nosso bom viver português. Mas em tudo o resto, deu-me náusea e causou-me um choque imenso constatar que o país vive uma ausência completa de valores organizacionais. A sociedade vai apodrecendo por culpa duma classe política que não tem a mínima noção de ética nem moral. Os escândalos, a corrupção, o compadrio, o chico-espertismo instalado, são práticas naturais que passam impunes a quem se sabe mexer no lamaçal. Custou-me ver o país sujo, desorganizado, deixado ao Deus-dará. Situações como a da praia da Fonte-da-Telha, são o expoente máximo de tudo o que se tem feito de errado - e o mais espantoso é ninguém mudar o estado das coisas! Custa muito, para alguém que vem viver para fora, para um país "civilizado", chegar ao nosso cantinho e não se sentir bem na balbúrdia constante e imutável. Custa muito e por isso vim cheio de vontade de por aqui ficar.
Na Noruega de novo, para trabalhar e não só. É caso para dizer
«Adeus, até ao meu regresso».

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