domingo, 24 de maio de 2009

O sol nasce pouco depois das 4h e a claridade entra pelo quarto dentro. É assim todos os dias, e todos os dias acordo por volta das 5h. Como hoje é Domingo, forcei-me a estar na cama até às 8h!
Um dia normal de trabalho, começa por volta das 6h no local da obra. O horário de trabalho da minha equipa é das 6h às 16h, podendo prolongar-se até às 21h se tivermos betonagens marcadas para o fim do dia. Nesses dias, tenho um grupo que faz um turno especial das 11h às 21h.
Passo o dia em movimento e isso agrada-me. Detesto a ideia de estar horas sentado em frente a um computador. A obra é exigente a vários níveis, tanto tecnicamente como de logística. Depois há que acrescentar a parte burocrática que envolve papelada de controlo, facturação, relatórios, etc, mais a tarefa intrincada que é a gestão do pessoal. Tudo somado, faz com que eu ande constantemente de um lado para o outro, seja a resolver problemas relacionados com a construção, seja a transportar pessoal para o aeroporto, ou em reuniões de produção, vistorias técnicas, etc.
Os noruegueses almoçam a sua fatia de pão com rodelas de pepino às 11h da manhã. É coisa que me faz confusão, tal como lhes faz confusão a eles que eu aqueça a minha pratada de massa para comer perto da uma da tarde.
Depois das 15h, o pessoal norueguês começa a abandonar a obra. Cada um vai à sua vida, neste país que tem (quase) tudo para oferecer. Jantam às cinco da tarde, e mais uma vez não compreendem como podemos nós, portugueses, lanchar a essa hora para voltarmos a comer uma feijoada por volta das 20h. Culturas diferentes...
Depois do pessoal saír do trabalho, costumo ficar a arrumar a escrita. Por volta das 18h vou até ao ginásio, transpiro um bocado e dou umas braçadas na piscina. Volto para casa e faço o jantar, e deito-me por volta das 23h. No dia seguinte, estou de novo a pé às 5h da manhã.
É quase assim, quase todos os dias. Mas todos os dias acabam por ser diferentes, porque o trabalho nunca é igual. E depois há os acasos da vida, as pessoas que se encontram, os filmes no cinema, um copo aqui, um jantar ali, os jogos de futebol ao fim do dia com carpinteiros e pedreiros, as idas ao hospital com alguém que deu uma martelada num dedo, ...
Aos fins-de-semana tenho saída garantida no bar habitual. Tal como é garantida a visita semanal ao centro-comercial, para comprar a comida para toda a semana. À tarde passeia-se pela marina, bebem-se umas cervejinhas nas esplanadas à beira-mar, aprecia-se a paisagem... é uma vida nas calmas, esta que os noruegueses vivem. Aqui na Europa do norte não fazemos ideia das dificuldades em que se encontra o mundo. Vive-se bem, há condições, há civilidade, há dinheiro.
Espero continuar por muito tempo.
E que me venham visitar :)

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